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Como a inteligência artificial surgiu: de Turing ao ChatGPT

Atualizado em 15 de setembro de 2026·Redação YOOFY
Sala de museu de tecnologia com computador antigo de grande porte ao lado de um notebook moderno sobre mesa

Sala de museu de tecnologia com computador antigo de grande porte ao lado de um notebook moderno sobre mesa

A inteligência artificial surgiu como campo científico em 1956, num seminário de verão no Dartmouth College, nos Estados Unidos, quando John McCarthy cunhou o termo. A pergunta fundadora veio antes, em 1950, no artigo de Alan Turing sobre máquinas capazes de pensar. Desde então, o campo alternou entusiasmo e “invernos” de descrédito, até que redes neurais, dados em massa e o transformer produziram a IA generativa de conversa.

Em resumo

Tudo começou com uma pergunta de Turing, não com uma máquina

Em 1950, o matemático britânico Alan Turing publicou o artigo “Computing Machinery and Intelligence” na revista Mind. Em vez de definir inteligência, ele propôs um teste prático: se uma pessoa conversando por texto não consegue distinguir a máquina de um humano, a máquina pode ser considerada inteligente. É o chamado Teste de Turing.

A proposta era ousada porque os computadores da época ocupavam salas inteiras e serviam para cálculos militares e científicos. Turing, que havia trabalhado na quebra de códigos alemães durante a Segunda Guerra, imaginava máquinas que aprendessem como crianças, por instrução e experiência, e não apenas por programação explícita.

Turing morreu em 1954, antes de ver o campo nascer com nome próprio. Mas a pergunta dele fixou o padrão de julgamento que ainda usamos: a IA é avaliada pelo comportamento que produz, não pelo que acontece dentro dela. Segundo a Stanford Encyclopedia of Philosophy, esse artigo abre o debate moderno sobre inteligência de máquinas.

O nome nasceu numa reunião de verão em Dartmouth

Em 1956, o matemático John McCarthy organizou, com Marvin Minsky, Nathaniel Rochester e Claude Shannon, um seminário de verão no Dartmouth College, em New Hampshire. A proposta de financiamento, escrita no ano anterior, usava pela primeira vez a expressão “artificial intelligence” para nomear o estudo de máquinas que simulam aspectos da inteligência humana.

A proposta, escrita em 1955 e disponível publicamente, previa que um grupo de dez pesquisadores resolveria parte significativa do problema em um verão. A estimativa se mostrou otimista em décadas, mas o encontro cumpriu o essencial: reuniu as pessoas que fundariam os primeiros laboratórios de IA no MIT, em Stanford e em Carnegie Mellon.

Por isso, quando alguém pergunta “em que ano a inteligência artificial surgiu”, a resposta padrão é 1956. Quando pergunta “quem criou”, a resposta honesta é que ninguém criou sozinho: McCarthy deu o nome, Turing deu a pergunta, e dezenas de pesquisadores construíram o restante ao longo de décadas.

As primeiras décadas prometeram demais e entregaram invernos

Os anos seguintes trouxeram programas que jogavam damas, provavam teoremas e conversavam de forma rudimentar, como o ELIZA, criado por Joseph Weizenbaum no MIT em 1966. Frank Rosenblatt apresentou em 1958 o perceptron, um modelo matemático inspirado no neurônio, que é o ancestral direto das redes neurais modernas.

O entusiasmo esbarrou na falta de poder computacional e de dados. No Reino Unido, o relatório Lighthill, de 1973, concluiu que a IA não havia cumprido suas promessas, e o financiamento público encolheu. O período que se seguiu ficou conhecido como o primeiro inverno da IA, com verbas cortadas e laboratórios reduzidos.

Um segundo ciclo veio com os sistemas especialistas dos anos 1980, programas que codificavam regras de médicos e engenheiros, e com o projeto japonês de computadores de quinta geração. Quando esses sistemas se mostraram caros e frágeis, chegou o segundo inverno, no fim da década. A linha do tempo resumida:

  1. 1950: Turing publica o artigo que propõe o teste de máquinas pensantes.
  2. 1956: conferência de Dartmouth cunha o termo inteligência artificial.
  3. 1973: relatório Lighthill abre o primeiro inverno da IA.
  4. 1997: o Deep Blue, da IBM, vence o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov.
  5. 2012: a rede AlexNet vence a competição ImageNet e inaugura a era do aprendizado profundo.
  6. 2017: pesquisadores do Google publicam o transformer, base dos modelos de linguagem.
  7. 2022: a OpenAI lança o ChatGPT e leva a IA generativa ao grande público.

Redes neurais voltaram quando dados e placas de vídeo chegaram

A virada dos anos 2010 combinou três ingredientes que faltavam desde Rosenblatt: algoritmos de treinamento maduros, quantidades enormes de dados digitalizados pela internet e placas gráficas, criadas para jogos, capazes de fazer milhões de multiplicações em paralelo. A ideia antiga finalmente tinha combustível.

O ponto de inflexão foi 2012, quando a rede AlexNet, de Alex Krizhevsky, Ilya Sutskever e Geoffrey Hinton, venceu a competição de reconhecimento de imagens ImageNet por margem larga. De acordo com o artigo dos autores, apresentado na conferência NeurIPS, a taxa de erro caiu de forma expressiva em relação ao segundo colocado, e a indústria passou a apostar em aprendizado profundo.

Na prática, isso mudou o que a IA fazia no dia a dia: reconhecimento de rosto em fotos, tradução automática utilizável, assistentes de voz e recomendação em streaming e marketplace. Em 2016, o AlphaGo, da DeepMind, venceu o campeão de Go Lee Sedol.

A IA generativa nasceu do transformer e explodiu com o ChatGPT

Em 2017, pesquisadores do Google publicaram o artigo “Attention Is All You Need”, que apresentou a arquitetura transformer. Ela permitia processar sequências de texto em paralelo e capturar relações entre palavras distantes, o que tornou viável treinar modelos de linguagem com bilhões de parâmetros em volumes gigantescos de texto.

Sobre essa base, a OpenAI construiu a família GPT e o Google, o BERT. Cada geração foi maior que a anterior, e a qualidade do texto gerado passou de curiosidade a ferramenta. Em novembro de 2022, a OpenAI lançou o ChatGPT, uma interface de conversa sobre esses modelos, e a adoção foi rápida como poucas vezes se viu em um produto de consumo.

A IA generativa mudou a relação das pessoas com a tecnologia porque dispensou o programador: qualquer um passou a instruir a máquina em português. Ferramentas de imagem, áudio e código seguiram o mesmo caminho, e empresas como Google, Microsoft, Meta e Anthropic passaram a disputar o mesmo espaço com seus próprios modelos.

Governos e guerra financiaram a IA como ferramenta estratégica

A afirmação de que a IA surgiu como ferramenta estratégica tem fundamento histórico. Nos Estados Unidos, a agência de pesquisa do Departamento de Defesa, a DARPA, financiou os laboratórios de IA do MIT, de Stanford e de Carnegie Mellon a partir dos anos 1960, no contexto da Guerra Fria e da corrida tecnológica com a União Soviética.

O próprio Turing trabalhou na criptoanálise de guerra, e os primeiros computadores eletrônicos nasceram para calcular trajetórias balísticas e quebrar códigos. O Japão, por sua vez, lançou em 1982 o projeto de computadores de quinta geração como política industrial, o que levou Estados Unidos e Europa a reagirem com programas próprios.

Esse padrão se repete: a pesquisa básica foi paga pelo Estado por décadas, e a comercialização veio depois, pela iniciativa privada. Isso explica por que governos voltaram a tratar a IA como ativo estratégico e a financiar pesquisa própria.

No Brasil, a IA chegou pela universidade e virou política pública

A pesquisa brasileira em inteligência artificial se organizou a partir dos anos 1980, em programas de pós-graduação de universidades como USP, Unicamp, UFRGS, UFPE e PUC-Rio. A Sociedade Brasileira de Computação passou a reunir a comunidade em eventos dedicados ao tema, que seguem ativos e reúnem pesquisadores de todo o país.

Na indústria, a IA entrou pelo setor financeiro, com modelos de crédito e antifraude em bancos e birôs, e depois pelo varejo e pelas telecomunicações. Fintechs e empresas de tecnologia adotaram aprendizado de máquina para recomendação, cobrança e atendimento antes que o termo virasse assunto de grande público.

No plano governamental, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação publicou em 2021 a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial, a EBIA, com diretrizes para pesquisa, educação e uso ético. O Congresso passou a discutir um marco legal para a IA, e a LGPD já trata de decisões automatizadas desde antes da onda generativa.

A IA nasceu na Terceira Revolução Industrial e move a Quarta

A divisão mais usada em escolas e provas conta quatro revoluções industriais: a do vapor, a da eletricidade e da produção em massa, a da eletrônica e da informática, e a da conexão entre mundo físico e digital. A inteligência artificial surgiu na terceira, junto com o computador e a internet.

O termo Quarta Revolução Industrial foi popularizado por Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, em 2016. Nessa leitura, a IA deixa de ser uma tecnologia entre outras e passa a ser o motor que conecta robótica, internet das coisas, biotecnologia e automação de decisões.

Para quem estuda para prova ou concurso, a resposta segura é: a IA surgiu na Terceira Revolução Industrial, em meados do século XX, e é considerada uma das tecnologias centrais da Quarta. Vale conferir o material da própria banca, porque algumas adotam divisões diferentes das revoluções.

O próximo passo para quem quer ir além da linha do tempo é ler as fontes primárias, curtas e gratuitas: o artigo de Turing de 1950 e a proposta de Dartmouth de 1955. Todo chatbot que você usa descende diretamente daquela pergunta.

Perguntas frequentes

Como surgiu a inteligência artificial, em resumo?

Ela nasceu da pergunta de Alan Turing, em 1950, sobre se máquinas podem pensar, e ganhou nome e programa de pesquisa em 1956, na conferência de Dartmouth organizada por John McCarthy. Passou por ciclos de entusiasmo e cortes de verba, renasceu com as redes neurais profundas a partir de 2012 e chegou ao público com a IA generativa do ChatGPT.

A inteligência artificial surgiu em que ano?

A data de nascimento aceita é 1956, ano do seminário de verão do Dartmouth College em que o termo inteligência artificial foi usado pela primeira vez como nome de um campo de estudo. Se a pergunta é sobre a ideia, e não sobre o nome, a resposta recua para 1950, quando Turing publicou seu artigo sobre máquinas pensantes.

Quem criou a inteligência artificial?

Não existe um único criador. John McCarthy cunhou o termo e organizou Dartmouth com Marvin Minsky, Nathaniel Rochester e Claude Shannon. Alan Turing formulou a pergunta fundadora. Frank Rosenblatt criou o perceptron, e Geoffrey Hinton e colegas viabilizaram as redes profundas. A IA é uma construção coletiva de décadas.

Como surgiu a inteligência artificial generativa?

Ela deriva da arquitetura transformer, publicada por pesquisadores do Google em 2017, que permitiu treinar modelos de linguagem enormes em volumes gigantescos de texto. A OpenAI construiu sobre ela a família GPT e, em 2022, lançou o ChatGPT, que popularizou a geração de texto por conversa. Imagem, áudio e código seguiram o mesmo caminho.

Como surgiu a inteligência artificial no Brasil?

Pela universidade: programas de pós-graduação em computação organizaram a pesquisa em IA a partir dos anos 1980, e a Sociedade Brasileira de Computação passou a reunir a comunidade em eventos próprios. Na indústria, bancos e birôs de crédito foram os primeiros a adotar modelos preditivos. Em 2021, o governo federal publicou a Estratégia Brasileira de IA.

A inteligência artificial surgiu em qual Revolução Industrial?

Na Terceira, a da eletrônica e da informática, em meados do século XX, junto com o computador digital. Ela é apontada como uma das tecnologias centrais da Quarta Revolução Industrial, termo popularizado por Klaus Schwab em 2016. Em provas, confira a divisão adotada pela banca, porque há variações.

Fontes
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