Para calcular frete em loja online, meça a embalagem pronta, calcule o peso cúbico (comprimento × largura × altura em centímetros, dividido pelo fator da transportadora) e compare com o peso real: vale o maior. Esse peso entra na tabela da transportadora, que cruza faixa de peso com faixa de CEP. Intermediadores como Melhor Envio cotam várias transportadoras de uma vez; frete grátis é custo embutido no preço.
Em resumo
- Peso cúbico = comprimento × largura × altura (em cm) ÷ fator da transportadora; os Correios usam 6.000 e só aplicam a cubagem quando o peso cúbico passa de 10 kg, e então a cobrança recai sobre o maior entre peso real e cúbico.
- A tabela de frete cruza faixa de peso com região de destino por CEP: o mesmo pacote custa e demora diferente para cada estado.
- Frete grátis é decisão de preço: ou está embutido no valor do produto, ou sai da margem; o teste no carrinho mostra qual regra converte mais sem destruir a margem.
O frete é cobrado pelo maior entre peso real e peso cúbico
Transportadora vende espaço no veículo, não apenas quilos. Por isso, um pacote leve e grande custa como se fosse pesado. O peso cúbico traduz volume em quilos: multiplique comprimento, largura e altura da embalagem em centímetros e divida pelo fator de cubagem da transportadora.
Segundo a documentação dos Correios, o fator é 6.000, e a cubagem só entra quando o peso cúbico passa de 10 kg; até aí vale o peso da balança. Uma caixa de 60 × 40 × 30 cm dá 72.000 cm³ e 12 kg cúbicos: com 2 kg dentro, a cobrança considera 12 kg. Transportadoras rodoviárias costumam usar fatores menores e comparar desde o primeiro grama.
Meça sempre a embalagem fechada, com o enchimento, e não o produto solto. Arredondamentos para cima são comuns nas tabelas, então uma caixa um centímetro menor pode cair numa faixa mais barata. Anote as medidas de cada caixa que você usa; elas viram cadastro no sistema da loja.
A tabela da transportadora cruza faixa de peso com faixa de CEP
Toda tabela de frete tem duas dimensões: faixas de peso (até 300 g, até 1 kg, até 2 kg e assim por diante) e regiões de destino, definidas por faixas de CEP. O preço está no cruzamento das duas, e o prazo de entrega também varia por região.
A origem importa tanto quanto o destino. Uma loja em São Paulo paga pouco para entregar na própria capital e muito mais para o Norte; uma loja em Belém tem a lógica invertida. Por isso, a tabela de um concorrente de outro estado não serve de referência para a sua.
Além de peso e região, entram adicionais: valor declarado para seguro, aviso de recebimento, coleta em domicílio e o adicional para localidades de difícil acesso. Cada um aparece como linha separada na cotação, e vários só são cobrados quando você os ativa no envio.
Correios com contrato, transportadoras e intermediadores: três tabelas diferentes
Os Correios oferecem serviços econômicos e expressos, como PAC e SEDEX, com preço de balcão para quem posta avulso e tabela com desconto para empresas com contrato. O contrato exige CNPJ e pode ter faturamento mínimo conforme a modalidade, com condições publicadas no site oficial.
Transportadoras privadas, como Jadlog e Loggi, têm tabelas próprias, cobertura diferente por região e regras próprias de cubagem. Costumam ser competitivas em pacotes maiores e em rotas densas, e mais caras ou ausentes em cidades pequenas, onde os Correios chegam.
Intermediadores, como Melhor Envio e Frenet, ficam no meio: reúnem tabelas negociadas de vários transportadores e as oferecem a lojas pequenas sem contrato próprio. Você paga etiqueta a etiqueta, sem volume mínimo, e escolhe a opção por preço ou prazo em cada pedido. Em resumo, as alternativas:
- Correios sem contrato: preço de balcão, sem volume mínimo, alcance em todo o país.
- Correios com contrato: desconto por faixa de volume, exige CNPJ e cadastro empresarial.
- Transportadora privada: tabela própria, forte em rotas densas, cobertura menor no interior.
- Intermediador (Melhor Envio, Frenet): tabelas negociadas, sem mínimo, etiqueta paga por envio.
- Marketplace (Mercado Livre, Shopee): frete calculado e cobrado pela própria plataforma, fora do seu controle.
Melhor Envio e cotadores resolvem a comparação, não a estratégia
Um intermediador se integra à loja e mostra ao cliente, no carrinho, várias opções de envio com preço e prazo, calculadas em tempo real pelo CEP. Para o lojista, gera etiqueta, rastreio e cobrança consolidada. Isso elimina a planilha manual de tabelas.
O que ele não decide é a política: quantas opções mostrar, se haverá frete fixo, quando oferecer frete grátis e quem paga a diferença. Mostrar seis transportadoras confunde; uma econômica e uma expressa costumam bastar. Prazo claro vale mais que centavos de diferença.
Distinga o preço da etiqueta do preço cobrado do cliente. Muitos lojistas repassam o valor exato; outros somam uma taxa de manuseio para cobrir caixa, fita e tempo. A escolha é legítima, desde que o total apareça antes da finalização, como o Código de Defesa do Consumidor exige para qualquer preço.
Frete grátis não existe: ele está embutido no preço ou na margem
Frete grátis é o argumento de conversão mais forte do comércio eletrônico e também o que mais quebra loja pequena quando mal calculado. Alguém paga o transporte: ou o cliente, dentro do preço do produto, ou o lojista, dentro da margem. A conta precisa decidir qual.
Para embutir, calcule o frete médio ponderado da loja: pegue os últimos pedidos, veja quanto custou enviar para cada região e a proporção de pedidos por região. Some esse valor médio ao preço. Clientes próximos pagam um pouco a mais; clientes distantes, um pouco a menos.
Alternativas menos arriscadas: frete grátis acima de um valor mínimo de pedido, que eleva o tíquete médio; frete grátis só para regiões próximas; frete fixo único para o país inteiro. Cada regra muda o comportamento do cliente, e só o teste mostra qual funciona. O cálculo do frete médio ponderado:
- Liste os pedidos de um período e o custo real de frete de cada um.
- Agrupe por região de destino e calcule a participação de cada uma no total de pedidos.
- Multiplique o frete médio de cada região pela participação dela e some tudo: esse é o frete médio ponderado.
- Adicione esse valor ao preço dos produtos que terão frete grátis.
- Revise a cada trimestre, porque a mistura de regiões e as tabelas mudam.
A embalagem certa reduz o frete antes de qualquer negociação
A alavanca mais barata do frete é a caixa. Como a cobrança usa o peso cúbico, cada centímetro de ar dentro da embalagem custa dinheiro. Padronize dois ou três tamanhos que abracem seus produtos com o mínimo de folga e a proteção adequada.
Envelopes de segurança e caixas baixas servem para itens que não quebram, como roupas e acessórios, e caem em faixas de peso menores. Produtos frágeis precisam de proteção, mas ela pode ser papel amassado em vez de isopor volumoso, que ocupa espaço e tem descarte difícil.
Registre peso e dimensões de cada produto já embalado no cadastro da loja. É esse dado que o cotador usa para calcular em tempo real; se estiver errado, o cliente paga a menos e você cobre a diferença, ou paga a mais e abandona o carrinho.
Testar no carrinho é a única forma de saber se o frete afasta cliente
Segundo levantamentos do Baymard Institute, instituto que pesquisa usabilidade de comércio eletrônico, custos extras como frete e taxas são o motivo mais citado por quem abandona o carrinho. Esse é o dado que justifica testar a regra de frete em vez de decidir por intuição.
O teste é simples: escolha uma métrica, como taxa de conversão do carrinho para pedido pago, meça por algumas semanas com a regra atual, mude uma única variável (o valor mínimo para frete grátis, por exemplo) e meça de novo. As ferramentas de análise da própria plataforma bastam.
Acompanhe também tíquete médio e margem por pedido, não só conversão. Uma regra que converte mais e destrói a margem é pior que a anterior. Repita o ciclo a cada mudança de tabela, porque transportadoras reajustam preços e a conta antiga deixa de valer.
Um exemplo de conta do começo ao fim
Imagine uma caneca embalada em caixa de 15 × 15 × 12 cm, com peso real de 600 gramas. O volume é 2.700 cm³; dividido por 6.000, dá peso cúbico de 0,45 kg. Como o peso cúbico fica abaixo de 10 kg e o real é maior, a tabela é consultada na faixa de 600 gramas.
Agora um edredom leve, de 1,2 kg, em caixa de 60 × 40 × 30 cm: 72.000 cm³ ÷ 6.000 = 12 kg cúbicos, acima do limite de 10 kg. A cobrança usa 12 kg, não 1,2 kg. Compactado a vácuo numa caixa de 40 × 30 × 15 cm, o peso cúbico cai para 3 kg, abaixo do limite, e a tabela volta ao peso real.
Com o peso definido, consulte a tabela pelo CEP de destino, some adicionais como seguro, decida se repassa o valor cheio ou embute parte no preço, e confira o resultado no carrinho como o cliente vê. Essa sequência, repetida para cada produto, é o cálculo de frete.
O próximo passo é medir e pesar cada produto já embalado, cadastrar esses dados na loja e simular, num intermediador ou na tabela dos Correios, três destinos a partir do seu CEP: capital próxima, outra região e interior distante. Com esses números, defina a regra de frete e teste no carrinho por algumas semanas antes de mudar.