A diferença entre Pix estático e dinâmico está em como o QR Code é gerado e usado. O estático é criado uma vez, embute a chave Pix do recebedor e pode ser reutilizado por qualquer pagador, com valor fixo ou em aberto. O dinâmico é gerado para cada cobrança, traz valor definido e um identificador único, e serve a um só pagamento, o que facilita a conciliação de quem vende.
Em resumo
- QR Code estático: gerado uma vez, reutilizável, contém a chave Pix e, opcionalmente, um valor fixo. Serve para balcão, feira, doação e cobrança sem sistema.
- QR Code dinâmico: gerado a cada venda pelo sistema do banco ou do provedor, com valor, identificador único e, se quiser, vencimento, juros e desconto. Uso único, ideal para conciliar.
- A escolha depende do volume e do controle desejado: pouca venda e sem sistema, estático; muitas vendas, pedidos numerados ou loja virtual, dinâmico.
O estático é um endereço fixo; o dinâmico é uma cobrança específica
Segundo o Banco Central, o QR Code estático pode ser usado em várias transações, porque carrega apenas as informações do recebedor, como a chave Pix, e, opcionalmente, um valor fixo. É como um cartaz com o endereço de pagamento: quem chega lê, digita o valor se preciso e paga.
O QR Code dinâmico é gerado para uma cobrança específica, com valor definido e um identificador de transação único, e só pode ser pago uma vez. Também segundo o Banco Central, ele permite incluir dados adicionais, como identificação do pagador, vencimento, juros, multa e desconto, no caso da cobrança com vencimento.
Os dois seguem o mesmo padrão técnico, o BR Code, e ambos têm versão em texto, o Pix Copia e Cola. A diferença está no conteúdo: o estático guarda tudo dentro da imagem; o dinâmico aponta para um endereço no servidor do provedor de pagamento, onde ficam os dados da cobrança.
Quando o QR Code estático resolve: balcão, feira, doação e MEI
O estático é a escolha natural de quem recebe poucos pagamentos por dia e não usa sistema de vendas: barraca de feira, prestador de serviço, MEI no balcão, caixinha de gorjeta, arrecadação de igreja ou ONG. Basta gerar no aplicativo do banco, imprimir e colar; não precisa de internet no ponto de venda.
Ele pode ser gerado de dois jeitos. Sem valor, o cliente digita quanto vai pagar, o que serve para preços variados. Com valor fixo, serve para produto ou serviço de preço único, como uma mensalidade ou um combo, e evita erro de digitação do pagador na hora de pagar.
A limitação aparece com o volume. Como todos os pagamentos chegam com a mesma origem, distinguir quem pagou o quê depende do nome do pagador e do valor, e dois clientes que pagam a mesma quantia no mesmo minuto viram um problema de conferência. Por isso o estático funciona bem até certo porte.
Quando o dinâmico compensa: valor certo, identificador e vencimento
O dinâmico entra quando cada venda precisa ser rastreada: loja virtual, delivery, sistema de pedidos, cobrança de boleto substituída por Pix, mensalidade com vencimento. O sistema gera um QR Code por pedido, já com o valor exato e um identificador que amarra o pagamento ao pedido correspondente.
O Banco Central define dois formatos: a cobrança imediata, para pagamento na hora, com prazo de expiração configurável, e a cobrança com vencimento, que aceita data limite, juros, multa, desconto e identificação do devedor, funcionando como um boleto que se liquida em segundos.
O preço dessa precisão é a dependência de sistema: o QR dinâmico é gerado pela API do banco ou do provedor de pagamento, ou pelo aplicativo da maquininha, e exige conexão na hora da venda. Para quem já usa um sistema de pedidos, a integração costuma vir pronta.
- Valor travado: o pagador não consegue alterar a quantia, o que elimina o pagamento a menos por engano.
- Identificador único: cada pagamento chega ao extrato ligado ao pedido que o gerou.
- Expiração: a cobrança deixa de valer após o prazo definido, evitando pagamento de pedido cancelado.
- Dados do pagador: é possível exigir CPF ou CNPJ e nome na cobrança, útil para emissão de nota fiscal.
- Vencimento com encargos: juros, multa e desconto calculados automaticamente na cobrança com vencimento.
Conciliação é onde a diferença aparece no fim do dia
Conciliar é confrontar o que o sistema diz que foi vendido com o que de fato entrou na conta. Com QR estático, esse trabalho é manual: o caixa confere o extrato do Pix, procura o valor e o nome do pagador e marca o pedido como pago. Funciona com dez vendas; com duzentas, não.
Com QR dinâmico, o identificador da cobrança volta no extrato e no aviso automático que o provedor envia ao sistema, o chamado webhook, permitindo marcar o pedido como pago sem intervenção humana. É o que faz o carrinho de uma loja virtual liberar o pedido segundos após o pagamento.
Mesmo quem usa estático pode reduzir o esforço: pedir ao cliente que preencha a mensagem do Pix com o número do pedido, usar chaves diferentes para pontos de venda diferentes e exportar o extrato em planilha no fim do dia. São paliativos; a solução definitiva é o dinâmico.
Erros comuns no caixa e como evitá-los
O erro mais frequente com o estático é aceitar comprovante sem conferir o extrato. Imagens de comprovante podem ser editadas ou reaproveitadas de outro pagamento; a única prova é o crédito na conta do recebedor, visível no aplicativo em segundos. Regra de caixa: só entregar depois de ver o dinheiro entrar.
Outro erro é o valor digitado errado pelo cliente no QR sem valor fixo. Pagou a menos, precisa complementar; pagou a mais, o recebedor deve devolver pela função de devolução do próprio Pix, que preserva o vínculo com a transação original, em vez de fazer um Pix novo.
Com o dinâmico, os problemas mudam de natureza: QR expirado apresentado ao cliente, cobrança duplicada por clique repetido no sistema, ou identificador não gravado no pedido, o que quebra a conciliação. Quase todos se resolvem com prazo de expiração adequado e teste do fluxo antes de abrir o caixa.
- Confira o crédito no aplicativo do recebedor, não o comprovante do cliente.
- Prefira QR com valor fixo ou dinâmico para eliminar erro de digitação.
- Use a função devolução do Pix para valores pagos a mais; nunca um Pix comum.
- Defina prazo de expiração compatível com o tempo de atendimento.
- Grave o identificador da cobrança no pedido antes de mostrar o QR.
Como gerar cada um no app do banco ou pela maquininha
O estático é gerado no aplicativo de qualquer banco ou instituição de pagamento que ofereça Pix: na área de receber, escolhe-se a chave, define-se ou não um valor e o app entrega a imagem e o código Copia e Cola. A imagem pode ser impressa em cartaz, adesivo ou display de balcão.
O dinâmico costuma estar disponível de três formas: no próprio app do banco, gerando uma cobrança por vez com valor e descrição; no aplicativo da maquininha ou do provedor de pagamento, que cria o QR a cada venda; e por API, para sistemas de pedidos, ERPs e lojas virtuais integrados ao provedor.
Sobre custo, segundo o Banco Central, pessoa física em regra não paga para receber Pix, mas a instituição pode cobrar quando há indício de finalidade comercial, como receber por QR Code dinâmico ou ultrapassar trinta recebimentos no mês; para empresas, a cobrança por recebimento ou por QR dinâmico gerado é permitida. Os valores variam por provedor e devem ser conferidos na tabela de tarifas antes de escolher onde receber.
Segurança: o adesivo trocado é o golpe do estático
O QR estático impresso está exposto a um golpe simples: colar por cima um adesivo com QR de outra chave. O cliente paga, o comprovante mostra um nome desconhecido e o dinheiro nunca chega. Conferir o cartaz com frequência e checar o nome do recebedor na tela do cliente resolve boa parte do risco.
Do lado do pagador, a proteção é ler a tela de confirmação: nome e CPF ou CNPJ parcialmente mascarados do recebedor aparecem antes de concluir. Se o nome não bate com o estabelecimento, não pague. Essa conferência vale para os dois tipos de QR e leva dois segundos.
O dinâmico reduz esse risco porque é exibido na tela do sistema ou da maquininha na hora da venda, não em papel fixo, e porque traz o valor travado. Ainda assim, o recebedor deve proteger o acesso à API e às credenciais do provedor, pois um QR falso pode ser gerado a partir delas.
O próximo passo é contar quantos recebimentos por Pix o negócio tem por dia e quanto tempo o caixa gasta conferindo. Abaixo de algumas dezenas, um QR estático com valor fixo e a regra de conferir o extrato bastam; acima disso, vale abrir o app da maquininha ou do banco e testar a cobrança dinâmica em uma venda.