O Tesouro Direto funciona como uma loja online de títulos públicos: o Tesouro Nacional, em parceria com a B3, vende a pessoas físicas pedaços da dívida do governo federal, e você recebe o valor de volta com juros no vencimento ou na venda antecipada. A compra é feita pelo site do programa ou pela corretora, em frações de título, com recompra garantida em dias úteis.
Em resumo
- São três famílias de título: Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica; Tesouro Prefixado, com taxa fixa conhecida na compra; e Tesouro IPCA+, que paga inflação mais uma taxa real.
- O Tesouro Nacional recompra os títulos em dias úteis, mas o preço antes do vencimento oscila com a marcação a mercado; só quem leva até o fim recebe exatamente a taxa contratada.
- O rendimento paga Imposto de Renda em tabela regressiva, retido na fonte, e há taxa de custódia da B3; os valores vigentes estão nas páginas oficiais do Tesouro e da Receita Federal.
Você empresta ao governo, e o Tesouro Nacional devolve com juros
Um título público é uma promessa de pagamento do governo federal. Ao comprar, você empresta dinheiro ao Tesouro Nacional, que financia a dívida pública com esses recursos, e recebe de volta o valor corrigido por uma regra definida na hora da compra. Essa regra diferencia cada título.
O programa Tesouro Direto foi criado pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3, a bolsa brasileira, para que pessoas físicas comprassem esses títulos pela internet. Antes dele, o pequeno investidor só acessava títulos públicos por fundos de investimento, pagando taxa de administração.
A B3 faz a custódia: registra em seu nome cada fração comprada e cuida da liquidação. O banco ou a corretora, o agente de custódia, faz a ponte entre a sua conta e o sistema. O título é o mesmo em qualquer instituição; muda só a taxa e a interface.
Três famílias de título cobrem três necessidades diferentes
O Tesouro Selic é pós-fixado: rende a taxa Selic, definida pelo Copom do Banco Central, dia após dia. Como acompanha a taxa básica, seu preço quase não oscila, e o próprio Tesouro Nacional o aponta como indicado para reserva de emergência.
O Tesouro Prefixado tem taxa fixa conhecida na compra: você sabe quanto receberá no vencimento, em reais. Se a Selic cair, você ganha mais do que quem ficou no pós-fixado; se subir, ganha menos. A versão com juros semestrais paga cupons a cada seis meses.
O Tesouro IPCA+ paga a inflação medida pelo IPCA mais uma taxa real fixa, garantindo ganho acima da inflação para quem leva até o vencimento. Há versão com juros semestrais. Dessa família derivam o RendA+ e o Educa+, voltados a aposentadoria e educação, com pagamento mensal ao fim do prazo.
| Título | Como rende | Perfil de uso |
|---|---|---|
| Tesouro Selic | Taxa Selic diária | Reserva de emergência, prazo indefinido |
| Tesouro Prefixado | Taxa fixa contratada | Meta com data e valor conhecidos |
| Tesouro IPCA+ | IPCA mais taxa real | Proteção da inflação no longo prazo |
O rendimento segue a regra do título, não uma promessa
No Tesouro Selic, o rendimento diário segue a taxa básica: o título rende aproximadamente a Selic ao ano, menos custódia e imposto. Quando o Copom altera a Selic, o rendimento muda a partir da nova taxa, sem que você faça nada. Por isso ele é chamado de pós-fixado.
No Prefixado e no IPCA+, a taxa exibida na compra é a que vale se você ficar até o vencimento. O rendimento total aparece em reais no simulador oficial do Tesouro Direto, que calcula valor bruto, imposto e taxas para o prazo escolhido; use-o antes de comprar.
Nenhum título promete ganho fixo em reais antes do prazo: o que é garantido é a regra. Selic entrega a taxa básica; Prefixado, a taxa contratada no vencimento; IPCA+, inflação mais a taxa real no vencimento. Sair antes muda o resultado, para cima ou para baixo.
Marcação a mercado: o preço muda todo dia, e o vencimento resolve
Os títulos têm preço atualizado diariamente pelo Tesouro Nacional, refletindo os juros negociados no mercado. Quando as taxas sobem, o preço dos prefixados e IPCA+ já emitidos cai; quando caem, o preço sobe. Isso é a marcação a mercado, visível no extrato como rentabilidade positiva ou negativa.
Quanto mais longo o vencimento, maior a oscilação. Um IPCA+ com décadas pela frente pode mostrar perda de dois dígitos no extrato num ano de alta de juros, e ganho equivalente na queda. O Tesouro Selic é a exceção: seu preço praticamente não sofre esse efeito.
A oscilação só vira ganho ou perda real se você vender antes do prazo. Quem leva o título até o vencimento recebe exatamente o combinado, independentemente do que o extrato mostrou no caminho. Por isso o Tesouro Nacional orienta casar o vencimento com a data em que o dinheiro será necessário.
Resgate: recompra garantida em dias úteis, dinheiro no dia útil seguinte
O Tesouro Nacional garante a recompra dos títulos em todo dia útil, pelo preço do dia. Isso significa liquidez diária: você pede a venda no app ou no site e o valor cai na conta da corretora no dia útil seguinte, conforme as regras do programa.
- Em dias úteis, dentro do horário de negociação divulgado pelo Tesouro Direto, a venda sai pelo preço da hora.
- Fora do horário, em fins de semana e feriados, o pedido fica agendado e é executado pelo preço de abertura do próximo dia útil.
- O Tesouro Nacional pode suspender temporariamente as negociações em momentos de forte oscilação do mercado, para reprecificar os títulos.
- O valor resgatado vai para a conta na instituição de custódia; dali você transfere para o banco por Pix ou TED.
Resgate parcial é permitido: dá para vender uma fração e manter o restante. No dia da venda, a instituição retém o Imposto de Renda sobre o rendimento e, se o resgate ocorrer antes de 30 dias da compra, também o IOF, com alíquota que cai a cada dia até zerar.
Nos títulos com juros semestrais, parte do rendimento chega a cada seis meses, já com imposto retido. No RendA+ e no Educa+, o dinheiro volta em parcelas mensais depois da data de conversão, mas a venda antecipada continua possível pelo preço de mercado.
Imposto de Renda e taxas: o que sai do rendimento
O rendimento do Tesouro Direto paga Imposto de Renda pela tabela regressiva da renda fixa, segundo a Receita Federal: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360, 17,5% de 361 a 720 e 15% acima de 720 dias. O imposto incide só sobre o ganho, e é retido na fonte.
Legislação tributária muda; confira as alíquotas vigentes na página da Receita Federal antes de calcular. A retenção na fonte dispensa o pagamento por carnê, mas os valores precisam constar na declaração anual, na ficha de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, com base no informe da corretora.
Além do imposto, a B3 cobra taxa de custódia anual sobre o valor investido, descontada nas movimentações do título, na venda antecipada, no vencimento ou no pagamento de juros, com isenção para o Tesouro Selic até um limite de saldo definido pelo programa. Corretoras podem cobrar taxa própria, muitas zeraram; o percentual vigente da custódia está na página do Tesouro Direto.
Como começar em cinco passos pela plataforma oficial
Começar não exige valor alto: o programa permite comprar frações de título a partir de algumas dezenas de reais, conforme o site oficial. O processo é o mesmo em corretoras independentes e em bancos como Banco do Brasil ou Nubank; compare taxa de administração e facilidade de uso.
- Tenha CPF regular e conta em banco ou corretora habilitada como agente de custódia; a lista está no site do Tesouro Direto.
- Peça o cadastro no Tesouro Direto pela instituição; você recebe acesso ao portal e ao app oficial do programa.
- Transfira o dinheiro para a conta da instituição, por Pix ou TED.
- Escolha o título pelo objetivo e pelo prazo: Selic para reserva, Prefixado ou IPCA+ para metas com data definida.
- Confirme a compra e acompanhe pelo extrato; os títulos ficam registrados em seu nome na B3, conferíveis na área do investidor da bolsa.
A compra pode ser feita pelo portal ou app do Tesouro Direto, que direciona a ordem à sua instituição, ou direto na plataforma da corretora. Os preços são os mesmos; muda a experiência e a eventual taxa de administração, informada antes da compra.
Um cuidado: o Tesouro Direto não tem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, porque não é depósito bancário. A garantia é o próprio Tesouro Nacional, considerado o emissor de menor risco de crédito do país. Um CDB, ao contrário, é dívida de um banco, coberta pelo FGC dentro dos limites do fundo.
Próximo passo: entre no simulador oficial do Tesouro Direto, escolha um prazo que combine com um objetivo real e compare Selic, Prefixado e IPCA+ para esse prazo, já com imposto e taxas. Depois, verifique quanto sua corretora cobra de administração. Com esses dois dados, a compra passa a ter critério.